sábado, 25 de outubro de 2008

O primeiro doutros que trarei

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A liberdade do sonho
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Serena idade, que me descansas a alma, de perdição,
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Como se a vida repousasse por momentos; a mágoa
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da vontade reprimida, em leves penas descola e voa.
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Nada me enleva, me toca, me sustenta a noite aberta
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à imagem que povoa o pensamento da mulher certa.
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Mulher que em mim habita, sem rodeios, o coração.
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Quero estar, sem cá ficar. Poder ser, sem tal querer.
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Partir do mundo, sem sair, com posses plenas e vazias.
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Viver o todo, pela parte do pedaço que é apenas um.
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Assim sorvendo o fumado amor carnudo, copo de rum
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Na cana proibida das horas esquecidas, negras e frias.
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Aí, nessa praça que é só minha, podes ficar, amar e ser.
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Mestre Carvalho Negral....
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terça-feira, 21 de outubro de 2008

O Zé Milímetro

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Dum tempo ausente de concentrados de promotores de crescimento fácil, mas crestado no azeite doirado da frigideira, chegavam alguns moços peculiares, mais na forma que na veste, seja a que cobre o corpo ou daquela que fervilha no silêncio e faz avançar o mundo. Era o caso do mais espigado do grupo, vergado mesmo pelos ventos das entradas e dos carros feitos para miudinhos, que o obrigavam a assumir pose humilde, ainda que o espírito reclamasse dos trabalhos forçados que lhe atacam o espinhoso suporte da elevada postura.
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Carinhosamente apelidado de Milímetro, o Zé tinha, seguramente, mais uns bons 30 centímetros que qualquer outro, o que implicava, necessária e religiosamente, um molho de espirituosas observações, que transitavam das diferenças climáticas ou climatéricas, nos diversos níveis que frequentávamos, até às passadas que traziam velocidades díspares, em momentos atléticos mais ou menos formais.
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Mas o que melhor recordo centra-se nas duas extremidades que o Zé Milimetro ostentava, normalmente, com plena satisfação. O nariz, bem encorpado, que lhe trazia desconforto aquando da prática desportiva que melhor desempenhava, não por razões físicas, antes pelos ditos frequentes dos que com ele partilhavam essa actividade. Regularmente, um qualquer dizia-lhe, quando ele estava concentrado na tabela inimiga, para olhar para o outro lado ... para não ser apanhado no garrafão, na penalização dos 3 segundos. Que o avantajado apêndice estava sempre dentro dessa área restritiva!
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Mas não ficavam por aí, os piadéticos amigos que com ele conviviam; também os seus pés eram alvo constante de comentários, que volteavam entre a pesquisa no impossível número que vestiam e as notícias que davam conta da entrada de ... navios de grande porte na doca de Leixões, inesperados, mas que se justificavam por o Zé estar voltado para o mar, no momento em que se rezava a graça. Bons tempos estes, os do vinho que alimentava um milhão de portugueses.
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sábado, 5 de julho de 2008

Citar quem adoro, citar quem sabe ...

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O mar batia com força nas rochas, furioso,apesar dos raios de sol eu sentia-o triste como eu.
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Aquele banco em frente ao mar estava vazio, sozinho apesar da quantidade de pessoas que passavam.
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Nada estava igual.
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Não havia sorrisos, não havia nada, tudo era impessoal.
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Passei boa parte da tarde a olhar para o infinito à procura...
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Não encontrei, também não podia.
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Como me fazem falta as tardes da semana, cada bocadinho que passo...
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Hoje o mundo parecia desabar em cima de mim com toda a tristeza que sentia.
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Saber que se quer e não poder, não ter poder e tanto querer, faz sofrer, doer imenso, morrer intenso.
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terça-feira, 10 de junho de 2008

Verão que aí vamos, mesmo que não pareça nem lá cheguemos!

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Nuvens escuras, nuvens claras, céu limpo ou nem por isso. Mas para lá vamos ... acho eu!
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Do Grande e do Pequeno Amor

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Acabei de ler. Romance fotográfico, metade texto e metade fotografia, de Inês Pedrosa e Jorge Colombo, da Dom Quixote, conta a história de um casal, que se separa de vez, para voltar a reunir-se, a separar-se, a reunir-se ... .
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Considera a relação amorosa uma guerra, ou muitas batalhas duma guerra, ou espaços de armistício entre guerras ... não consegui entender exactamente como o Amor é, aqui, tratado.
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Nada que não me aconteça amiúde. Quer quanto ao que leio, volta e meia, quer no que respeita ao tratamento a dar ao Amor. Com uma certeza: para mim, na intimidade do meu ser, amar não é guerrear. Nunca foi, pelo menos.
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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Vamos ser exemplares ... mas não muito rigorosos!

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Cactos
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Esta é uma lista de géneros e espécies de cacto, plantas espinhentas e com talos suculentos pertencentes à família Cactaceae (consulte este artigo para as informações botânicas).
A família conta com 30-200 géneros, segundo o autor consultado, com 1000 espécies ou possivelmente 2000.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Já me tinham dito para não levar muito a sério esta "pédia". Mas encontrar tanta incerteza, para um assunto tão comesinho como os cactos (que são irritadiços e espinhentos, eu sei), não sabendo se há 30 ou 200 géneros, como se os valores em causa fossem próximos, ou atrever-se a afirmar que temos 1000 espécies ou (e gosto particularmente da forma cautelosa usada) possivelmente ... o dobro, é ter muita lata. Eu, cá para mim, acho que há 1 a 2 géneros de gatos (embora alguns possam não saber em qual se integram) e 20, ou se calhar 2873 espécies. E esta informação que vos deixo é tão precisa (até será mais, eu aponto para números mais credíveis, quando não arredondo o valor) como as que podemos encontrar na Wikipédia.
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Não precisam de agradecer a informação. É para isso que eu por cá ando, tá?
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sábado, 3 de maio de 2008

Peyton Place

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Em miúdo, lia de tudo. Passava horas a ler (sobretudo as nocturnas). Devorava livros. Em rigor, não lia, voava pelas palavras, em busca do fim. Os escritores americanos e russos eram os preferidos. Li Gorki, Tolstoi, Steinbeck, Falkner, Zola e Lampedusa. Mas também li Robbins, Wallace, para além dos policiais e de ficção científica, que adorava.
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Não me lembro da autora (acho que era uma) de Peyton Place e Regresso a Peyton Place.
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Lembro que a qualidade da escrita não era relevante. Mas tratava de algo que nos incendiava, literalmente.
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Para perceber melhor o que me mais entusiasmou, nesse tempo, pesquisei na Net, e encontrei isto:
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Hypocrisy, social inequities, and class privilege are recurring themes in a tale that includes incest, abortion, adultery, lust and murder. Peyton Place has become an expression used to describe any place with sordid secrets.
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Bom, se isto não é um caldinho de coisas boas, não sei o que será …
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Já agora, a referida autora (que a Net serve, também, para estas coisas):
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Grace Metalious (September 8, 1924February 25, 1964) was an American author, best known for the controversial novel Peyton Place.
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She was born into poverty and a broken home as Marie Grace de Repentigny in the mill town of Manchester, New Hampshire. Blessed with the gift of imagination, she was driven to write from an early age. After graduating from Manchester Central High School, she married George Metalious in 1943, became a housewife and mother, lived in near squalor — and continued to write.
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In 1956, she captured the attention of an editor with Peyton Place, which became publishing's second "blockbuster" (following Gone with the Wind in 1936). Reviled by the clergy and dismissed by most critics as "trash," it nevertheless remained on the New York Times bestseller list for more than a year and became an international phenomenon. The dark secrets of a small New England town made juicy reading for millions worldwide. Peyton Place appears to have been a combination of Gilmanton, New Hampshire, the village where she lived (and which resented notoriety), Laconia, New Hampshire, the only nearby town of comparable size to Peyton Place and site of Grace's favorite bar, and Alton, New Hampshire, the town where a few years previously a daughter had murdered her incestuous abusive father. Hollywood lost no time in cashing in on the book's success — a year after its publication, Peyton Place was a major box office hit.
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Metalious died of alcoholism on February 25, 1964. "If I had to do it over again," she once remarked, "it would be easier to be poor." She is buried in Smith Meeting House Cemetery in Gilmanton, New Hampshire.
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Se trago este livro à colação, neste momento, isso resulta do momento que vivo e da memória que me assalta. Mas a memória engana-nos tanto … Ah, e ler é um prazer ... indescritível!.
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domingo, 20 de abril de 2008

As coisas boas da vida

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A vida é uma espiral de sensações, sabores, sons e sentimentos. O bater do coração acompanha esta miríade de cores, já que cada tempo se associa à palete cromática do arco-íris.
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Num dado tempo, da imaturidade pujante, em que as emoções andam à solta, o que nos escapa é o que mais marca. Gostaríamos de aspirar tudo, testar todas as hipóteses, provar todos os sabores. Mas a juventude é, também, a idade do desperdício, do fogo fátuo, da esperança no futuro, que tem face de eternidade.
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Depois, com o tempo, vem a quietude, a serenidade, a vida conformada. Se, naquele tempo, as cores foram pinceladas em tons gritantes, agora são as calorosas que dominam, ocres matizados de sangue, oceanos tingidos de pele. Vive-se no tempo, sem tempo a contar, antes daquele em que a constante será a medida precisa do que se pode viver.
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Há, assim, um período mais frio a percorrer. A alvura das cãs não é perene, antes se cruza com prateados mais ou menos carregados e com noites despidas de luar. Sempre que a luz parece ser a constante, lá surge a negritude dolorosa a quebrar o mar de sal. Não será uma surpresa, nem inesperado, antes implica uma aceitação complacente, de quem sabe que a vida é assim mesmo.
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O que torna tudo bem mais interessante é o inesperado. Provavelmente, não no tempo das cores fortes; se acontecer, nem se notará. Mas nos calorosos tons da serenidade, quando a rotina marca o ritmo, o sabor será, necessariamente, delicioso. Mais ou menos apimentado, com alguma toxicidade, de risco marcado ou não; se movimenta a tranquilidade, agita a vida. E quando se apresenta no final do dia nublado, escurecido pela chuva que arrefece o corpo? No branco que se cruza com a noite? Quando se olha para trás, porque a memória domina? Ah, aqui é a vida que se renova. Pode ser sem o brilho do passado mas é a vida, sobretudo, sem o frio do presente.
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Uma coisa é certa - todos os momentos que nos fazem crescer, custam um pouco. No princípio, com valor marcado e constante. Depois, com custos controlados. No fim, com um preço elevado.
É a vida.
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sexta-feira, 11 de abril de 2008

Domínio Público

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Recebi, pela 3ª ou 4ª vez, um mail que releva um site brasileiro de indiscutível utilidade. As obras que disponibiliza são, já, de domínio público, ou seja, não estão sujeitas a direitos de autor.
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Mais uma vez, abri um dos links do mail e fui dar a uma obra que faz parte da minha (boa) memória: o Auto da Barca do Inferno.
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Também se pesquisam autores, no site, como fiz com Gil Vicente.
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Estes meios electrónicos servem para isso e para mais isto - a partilha. Vou passar-vos a parte que mais gosto, desde aqueles tempos idos em que o teatro fazia parte das noites da televisão, ainda a preto e branco. Aqui vai ->
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Vem Joane, o Parvo, e diz ao Arrais do Inferno:
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PARVO Hou daquesta!
DIABO Quem é?
PARVO Eu soo.
É esta a naviarra nossa?
DIABO De quem?
PARVO Dos tolos.
DIABO Vossa.
Entra!
PARVO De pulo ou de voo?
Hou! Pesar de meu avô!
Soma, vim adoecer
e fui má-hora morrer,
e nela, pera mi só.
DIABO De que morreste?
PARVO De quê?
Samicas de caganeira.
DIABO De quê?
PARVO De caga merdeira!
Má rabugem que te dê!
DIABO Entra! Põe aqui o pé!
PARVO Houlá! Nom tombe o zambuco!
DIABO Entra, tolaço eunuco,
que se nos vai a maré!
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PARVO Aguardai, aguardai, houlá!
E onde havemos nós d'ir ter?
DIABO Ao porto de Lucifer.
PARVO Ha-á-a...
DIABO Ò Inferno! Entra cá!
PARVO Ò Inferno?... Eramá...
Hiu! Hiu! Barca do cornudo.
Pêro Vinagre, beiçudo,
rachador d'Alverca, huhá!
Sapateiro da Candosa!
Antrecosto de carrapato!
Hiu! Hiu! Caga no sapato,
filho da grande aleivosa!
Tua mulher é tinhosa
e há-de parir um sapo
chantado no guardanapo!
Neto de cagarrinhosa!
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Furta cebolas! Hiu! Hiu!
Excomungado nas erguejas!
Burrela, cornudo sejas!
Toma o pão que te caiu!
A mulher que te fugiu
per'a Ilha da Madeira!
Cornudo atá mangueira,
toma o pão que te caiu!
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Hiu! Hiu! Lanço-te üa pulha!
Dê-dê! Pica nàquela!
Hump! Hump! Caga na vela!
Hio, cabeça de grulha!
Perna de cigarra velha,
caganita de coelha,
pelourinho da Pampulha!
Mija n'agulha, mija n'agulha!
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Chega o Parvo ao batel do Anjo e diz:
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PARVO Hou da barca!
ANJO Que me queres?
PARVO Queres-me passar além?
ANJO Quem és tu?
PARVO Samica alguém.
ANJO Tu passarás, se quiseres;
porque em todos teus fazeres
per malícia nom erraste.
Tua simpreza t'abaste
pera gozar dos prazeres.
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Espera entanto per i:
veremos se vem alguém,
merecedor de tal bem,
que deva de entrar aqui.
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sábado, 5 de abril de 2008

Abril caliente

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Um dia sereno ...
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Um ou dois bons livros ...
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Uma paisagem com enquadramento perfeito ...

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E a água salgada nos pés!
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É preciso mais alguma coisa para um tempo perfeito?
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