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domingo, 18 de janeiro de 2009

Os papéis sociais e a forma como os desempenhamos

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A vida é um palco, onde todos assumimos vestes diferentes, conforme o local, o tempo e as circunstâncias que nos rodeiam.
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Não é novidade nenhuma. Não agimos sempre da mesma forma, nem sequer somos sempre os mesmos, quer falemos de momentos, quer de contextos distintos.
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Aquilo que fui não sou, e não só pelas capacidades ou experiências vividas, entretanto. O que me entusiasmou no passado agora é, muitas vezes, apenas tolerado, quando não odiado.
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O contrário também é verdade. Basta ver como encaro, hoje, alguns tipos de comida, que antes abominava.
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O que faço em casa não é como me comporto no trabalho e a forma como estou com amigos diverge das duas antes referidas.
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Uma coisa é certa: se considerarmos as duas perspectivas interligadas, então mais se nota a diferença.
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Olho com serenidade para os mais novos e para a sofreguidão com que, por vezes, actuam. Tolero os seus exageros, ainda que me afectem. Sei que são fruto do que sentem. Falta-lhes visão superior, não por estarem em plano inferior, mas por lhes faltar um ou outro degrau de aprendizagem que já subi. Por isso os aceito, como são.
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A forma como se lê a vida tem muito a ver com esta condição: o papel que desempenhamos é tanto mais conseguido quanto mais vivemos, se vivemos a aprender. Só os que não aprendem não mudam na vida e, por isso, actuam sempre da mesma forma.
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Dois papéis onde se sente mais esta concepção: o sindicalismo e a magistratura, onde o tempo promove mudanças profundas nos agentes.
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Duas consequências desta visão da vida: não seremos amanhã como somos hoje e, para muitos, demasiados se calhar, a forma como julgamos os poderosos não tem que ser, amanhã, como foi ontem. Mas lá que a história pode ser madrasta para esta teoria, pode. Basta esperar algum tempo para ver.
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domingo, 16 de novembro de 2008

Andy Warhol

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Sempre senti Warhol como um artista de excepção, num mundo e num tempo de excepção. Mas só recentemente o comecei a conhecer, com alguma intimidade. Como pessoa e como artista. E vou gostando do que vou descobrindo. Para já, partilho convosco duas das suas obras (sem ser as Marilyns ou os Elvis mais divulgados) que mais me tocaram:
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Auto-Retrato, 1978
Self-Portrait
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Série Retrospectiva, Preto sobre Preto, em Negativo, 1979
Black on Black Retrospective Reversal Series
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sábado, 5 de abril de 2008

Abril caliente

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Um dia sereno ...
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Um ou dois bons livros ...
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Uma paisagem com enquadramento perfeito ...

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E a água salgada nos pés!
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É preciso mais alguma coisa para um tempo perfeito?
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sábado, 23 de fevereiro de 2008

Os termos próximos, mais uma vez

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Premissa: o que eu aqui escrevo não resulta de qualquer pesquisa feita. Li, não sei onde, que essa coisa de fazer pesquisa era uma mariquice. Ora, eu não me considero mariquinhas. Também, convenhamos, para estas divagações, não preciso de fazer isso.
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Hoje viro-me para os idiotas, os estúpidos e os cretinos. Pensava que eram cada vez menos, mas mudei de opinião. Desde há uns tempos que os vejo crescer, em número e em obras. Basta apreciar a produção legislativa mais recente. Eles andam aí ...
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Os idiotas sabem pouco, e o pouco que sabem não lhes faz grande jeito. Elaboram coisas simples e sem nexo. Não fazem ideia do que estão a fazer - não sabem, sequer, se vai ser bom ou mau, útil ou inútil, adequado ou nem por isso. Fazem porque lhes disseram para fazer. Está feito. Agora, há que passar para outra coisa qualquer. A anterior já está esquecida. Um bom exemplo está no combate à corrupção. Fazem uma lei em que se determina que, no final do mandato, se deve ver como estão os rendimentos dos políticos. Isso chega. É idiota pensar assim, mas não há nada a fazer. Ou a análise feita ao financiamento da Somague ao PSD. Aconteceu. Temos que nos preocupar em evitar que aconteça de novo. Que parte? Ora, o ficarmos a saber que aconteceu. O melhor era ninguém saber. Se calhar, uma auditoria ao que aconteceu em 2002 resolve. Vamos a isso. Percebem o que quero dizer? Idiotas!
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Os estúpidos podem ser tão ignorantes como os idiotas, mas não são tão básicos. Normalmente, quando fazem uma estupidez (que é o que os estúpidos fazem), tomam conhecimento disso. Até dizem: que estupidez! Mas há uma particularidade nos estúpidos actuais. Antigamente, quando se fazia uma estupidez, isso não era motivo de orgulho nem a estupidez feita era para manter. Agora, é. Por exemplo, quem decidiu que, para combater o absentismo dos Alunos nas Escolas, uma prova de recuperação (exame) no regresso às aulas era a solução, agiu estupidamente. Já deve ter visto a estupidez. Mas agrada-lhe. Já agora, vamos lá ver como isto vai ser, na prática. depois de ver, faz uma de duas coisas: mantém tudo, se isso não o afectar muito, muda no caso contrário. Não pela estupidez, antes pelo que vai sofrer.
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Os cretinos são mais refinados. Sabem muito, podem agir bem, mas preferem não o fazer. Actuam erradamente por convicção. Por vezes, nem notam a cretinice que fazem, mas só porque estão distraídos. Mas, na maior parte dos casos, fazem-no com orgulho. Até sorriem. Dizem, com um ar de satisfação: isto não tem pés nem cabeça, mas vai ser uma reinação! Não consigo arranjar exemplos para esta realidade. Não por não existirem. Pelo contrário. São tantas as medidas, os actos cretinos, que destacar um seria uma injustiça para os restantes. E uma cretinice. Coisa que eu (ainda) não faço. Mas daqui a algum tempo ....
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sábado, 16 de fevereiro de 2008

Os 3 exércitos que, afinal, foram 4 ... ou 5!

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Cerco. Onde anda o Kilas? A Alice ... mas faltam, sobretudo, o Zé Fernando e o Tito. Apesar de tudo.
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Valbom. Estão, sem dúvida. Ficarão?
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Maia. Entre outros, gostava de ver o Zé Carlos Lopes, o Francisco Gomes, a João. Apesar de tudo. Que é feito da lourita?
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Amigos. Afonso, que é feito de ti, agora que te reencontrei? Coelho da Costa, Zé D'Almeida, Dino, Madruga (ah comuna!), Miro, Rosa (manteiiiiiga), Rosa (com música), Kris, Dora, Luísa com sotaque, Alface, Abreu e Heliotrope. Pfff. É melhor ficar por aqui. Ainda refiro o Umbelino, o Roriz, a Maria ou o Artur. Harg!!!!
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E Família. A listagem dos que não estiveram é interminável. Mas falta, falta, senti daqueles que já cá não estão. Saudades, né?
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Todos no mesmo tempo, espaço, sentimento e compasso. Obrigado.
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Lugares e sentimentos

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São lugares próximos entre si, que foram do meu contentamento por razões diversas, mas que acalentam a minha memória. de criança e de adulto, de jovem e de velho.
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Se olhada com atenção, a próxima mostra uma capelinha, lá no alto. Se ampliada, é mais sensível que visível, bem no meio da linha do horizonte. É da Sra. do Viso (ou Vizo, como se escrevia). Doces evocações ...
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E lugar onde est'outra foi disparada, abraçando um mundo de felicidade, que os meus textos vão perdurando. Logo depois de Caçarilhe e Ourilhe, aparece, longe, longe, Celorico, a minha terra mãe.
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Só me falta o regresso, que se afigura longínquo. Pela (falta de) oportunidade, só isso.
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Uma força da humanidade

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Vivemos, recentemente, um período de euforia ligado ao rugby, sobretudo em função de um apuramento histórico para o mundial da modalidade. Os “Lobos”, forma como foram apelidados os jogadores da selecção nacional, nem sequer tiveram um desempenho brilhante nesta fase (tudo derrotas), mas a satisfação continuou a dominar as gentes lusas. Se não serviu para muito mais, permitiu-me recordar um excepcional ser humano, jogador na década de 80XX, que conheci aquando do cumprimento do SMO (Serviço Militar Obrigatório), em Mafra.
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Em meados dessa década, no Convento de Mafra, na parte ocupada pelo Exército, por volta do mês de Março, assentou praça (ou seja, deu entrada no Exército, para servir a pátria) um grupo de mancebos (os que, pela primeira vez, eram incorporados) que seria muito similar a outros que também ali começaram a aprender a arte da guerra. Não os distinguia o cabelo (que todos rapavam, forma excelente de nivelar as personalidades, como vim a constatar), a roupa envergada (verdes e castanhos por todo o lado) ou o aprumo (que, rápida e uniformemente, todos atingiam); se algo os diferenciava, centrava-se no tipo ou qualidades das pessoas, quer nas que instruíam, quer nos aprendizes. Não tenho dúvidas que outros foram marcantes, noutras épocas, mais ou menos remotas. Mas, neste tempo concreto, MP apartava este conjunto de jovens mais ou menos maduros dos mais que se possam invocar.
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MP assumia cerca de 2 metros de altura, ombros largos que triangulavam com uma cintura seca e limpa, onde os extremos da comida ou da cerveja ainda não tinham feito mossa. Capitaneava a selecção nacional de rugby e contribuía para uma época de sucessos mais ou menos relevantes, na cena da competição internacional.
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A sua força era mítica. Todos ficavam espantados com a quantidade de elevações que contabilizava na trave fixa (dezenas delas, levando o queixo a tocar na barra horizontal, tarefa sempre difícil aos que pesavam, como ele, mais de 100 quilos), nas flexões perfeitas, nos abdominais ritmados, em todas as tarefas que solicitavam o uso dos músculos. Mais tarde, aquando dos testes de terreno para escolha de oficiais e sargentos, acartava com tudo o que fosse peso, para ajudar à sua superação. Como não podia deixar de ser, acabou sargento).
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As topográficas (saídas pelas tapadas, fosse a militar, fosse a real), sobretudo as nocturnas, eram bem mais acessíveis para aqueles que conviviam, de perto, com o MP. Saíamos cheios de genica (que a vontade nunca era significativa), com tudo às costas: arma, mochila com equipamento e botas suplentes, farda de trabalho, capacete de ferro, enfim, uns largos quilos de peso que somavam aos do corpo e acabavam por nos derrear, na parte final da caminhada.
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Era aí que surgia o MP. Quando as forças nos abandonavam, quando a vontade era lançar tudo, nós inclusive, ao chão e por lá ficar, ele vinha, pegava na arma de um, de dois, de três ou mais camaradas, ajeitava-as o melhor possível junto ao seu corpo, pegava em dois parceiros, dos mais desfalecidos, encaixava-os debaixo dos braços, permitia ainda que mais dois ou três se lhe atrelassem o melhor que podiam e, muitas horas depois da partida, reentrava no quartel.
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Na parada (local onde as tropas desfilavam, nos dias de exibição), largava a “carga” e, com um sorriso enorme, gritava para os instrutores: “já acabou? Tão cedo? Tão depressa? Isto foi uma autêntica passeata!”
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Nunca falhava. Por causa disso, ainda dávamos uma dezena de voltas à parada, mais a arrastar os pés que a caminhar. O que nos aguentava era o seu bom humor, nos encorajamentos que lançava: “vá lá, vá lá. Sempre é melhor andar aqui fora, ao ar livre, que ir fazer companhia às pulgas e aos piolhos da camarata! Devem estar geladinhos, coitados, sem o nosso calorzinho …”
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Passou à reserva em pouco tempo. Uma placa de platina num braço chegou para uma Junta Médica livrá-lo da tropa. Pelos vistos, diminuía-o, fisicamente … embora na selecção nacional de rugby (e no seu clube) isso não interessasse nada! Continuou a jogar, numa e noutro, por muitos e longos anos.
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domingo, 3 de fevereiro de 2008

Carnaval, da música, da dança, da cor e dos corpos

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Tempos há que não o são, ou querem deixar de o ser.
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São hiatos, cortes na vida, para (re)lançar novos tempos.
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Uma juba, um requebro, um sorriso que renova. Alguns connosco, como nós com eles.
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Até às duas e tal, retemperámos. Amanhã, recomeçamos.
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Momentos de qualidade

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É o que sobra, do tempo que não resta: momentos preciosos, únicos, tão sentidos quanto os beijos de quem se ama, os sabores dos frutos exóticos, os sons encantadores da voz pura.
Um dia de sol, no Inverno rigoroso, enquadrado por cor e luz deslumbrantes. Estar com amigos, nos seus espaços, no seu abrigo, no seu seio - que doce satisfação!
Mas deixemos falar os sapatos ...
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e as meias ...
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e o horizonte, em moldura vegetal.
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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Já lá vão uns anitos ...

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Há 49 anos atrás, era assim que eu me apresentava, nos festejos do 1º aniversário.
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Agora, estou assim, desta forma estranha ...
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Coisas do tempo.
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sábado, 19 de janeiro de 2008

Fantasmas visitadores

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Hoje fui confrontado por um som que, enchendo a casa, me acordou memórias queridas.
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A minha filhota, mais adulta que adolescente, encontrou no Youtube uma canção que eu lhe cantava enquanto criança, de que gostava muito. Ei-la, porque sei que saberá bem a outros a revisitação destes momentos:
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Não conseguimos encontrar outra que também amávamos, em português. Mas a versão espanhola serve ... malzito!
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Ser feliz

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Que coisa, escolher este tema nesta altura. Ou decorrerá disso mesmo, do tempo que corre - e como corre! Nas carteiras da primária, para além do buraco do tinteiro de porcelana, o que atraía o meu pensamento centrava-se na figura do meu Professor, alto (enorme mesmo, aos meus olhos), autoritário (o que, nos anos seguintes, viria a confirmar não ser apenas aparência) e algo "quota" (teria uns inconcebíveis 30 anos, na minha jovem mas assumida convicção). Então a D. Anaísa (ou Ana Ísa, nem sequer conheço a grafia correcta), aí com uns 50 anos, estava praticamente acabada.
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Mas a vida tem destas coisas, não dá tréguas e coloca as coisas nas devidas proporções. De facto, o que acontece é que está socialmente instituído que, aos 50, se começa um novo ciclo, de descida ou de perda, acelerada, com o imperativo do aproveitamento total do tempo, que passa a ser o tesouro maior de cada um. Mas isso é uma visão conceptual e limitada às convenções. Esse tempo existe, só que, muitas vezes, está para lá, ou para cá, desse número gordo (o 5 impede-me de lhe chamar redondo, conforme ensinamentos da minha chefe). Eu, por exemplo, sei que o passei há já uns anos. Agora, sei que nada é diferente do que aconteceu ontem ou, presumivelmente, vai suceder amanhã.
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A questão que coloco está mais voltada para a felicidade gizada como sendo um objectivo que se traçou e para o qual contribuímos com a nossa acção diária, ou seja, trabalhámos muitos anos e muito para podermos ser felizes "depois". Juntar dinheiro, perdendo anos, para atingirmos uma felicidade suprema em escasso tempo.
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Este é um engano comum, repetido, praticado insistentemente por muitos, demasiados. O que mais dói é a constatação que muitos fazem, quando são atingidos pelo murro da realidade, quando a certeza da inatingibilidade do objectivo se revela. E dói não pela impossibilidade que se manifesta, mas pela certeza do desperdício da vida passada, em busca duma meta tão inacessível quanto o santo graal. Pior. Enquanto este se apresenta, sempre, como um mito, a construção da felicidade parece perfeitamente possível, ali, ao alcance da mão.
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Vivo momentos de prazer, que pontuam um tempo monótono e rotineiro. É tão gratificante um momento de intenso prazer quanto um longo dia de trabalho? Claro que não, mas sabe melhor quando não é desvalorizado, quando não é submetido a uma miragem de felicidade. Quando vale em função do que se sente e vive, e não do que se sonha. E o dia, assim enquadrado, é fácil de saltar.
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Por isso digo, muitas vezes (não tantas quanto gostaria), que estou encantado. Por isso páro, deixo de fazer algo da rotina diária e parto para outra coisa qualquer, que adoro. Por isso me renovo, na idade que ostento, sem a esquecer; mas também sem a glorificar ou sujeitar, ao construído ou a construir.
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Desafio: 10 objectivos para concretizar em 2008

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Porque a vida é feita de pequenas coisas, considero ser este o tempo ideal para traçar aqueles objectivos, fundamentais para (mim) este ano que ora se inicia.
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Nada de transcendente, nada de nadar no Nilo ou atravessar a Mancha, escalar os picos da Europa ou mergulhar em qualquer gruta ou mar, ou até repetir sensações mais marcantes já vividas, como um "slide" numa foz de largas dimensões, uma viagem em montanha russa com múltiplos "loopings" ou disparar uma metralhadora pesada. Fico-me por metas mais acessíveis e menos perigosas, que são importantes mas concretizáveis. A novidade reside na publicação, nesta nova forma de o dizer, o que me condicionará um pouco mais. Afinal, quando chegar a hora, mais gente me poderá "cobrar" a falta de resultados.
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Vamos lá a isto (sem que a ordem que utilizo para os apresentar seja relevante):
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Tornar-me "Investigador Suficiente" - acho que é assim que se diz - no meu actual percurso de formação;
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Ir a um país que não conheço (o mais provável é visitar Itália), já que em 2007 fui para fora cá dentro;
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Reduzir, pelo menos, 5 kg ao meu peso, logo,
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Ingerir menos açucar, gorduras, alcoól, fritos e secos, bem como
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Fazer desporto regularmente (a natação parece ser a melhor opção);
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Melhorar a minha capacidade de trabalho, sendo mais organizado, respondendo melhor aos problemas e às pessoas e conseguindo melhorar os resultados (este, porque depende também doutros, não vai ser fácil);
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Diversificar os meus dotes culinários (que são, passe a imodéstia, bem interessantes), de forma a ser capaz de confeccionar e comer (porque o faço também para mim) outras especialidades;
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Escrever mais, melhor e com uma finalidade específica;
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Estar mais perto das pessoas que amo. Dar qualidade às minhas relações, ser mais próximo, estar mais atento e sensível. Viver momentos únicos, com ou sem compromissos. Arriscar mais, sem perder o norte;
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Estar no mapa dos acontecimentos, continuando posicionamentos que vou assumindo, hoje já evidentes (aqui).
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Chega. Se calhar, esqueci outros, tanto ou mais relevantes, mas se conseguir concretizar estes ...
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Humores

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Se todos fossem iguais, o mundo era uma sensaboria (palavra que consegue dizer tudo o que queremos, mas só raras vezes encaixa – e consegue dar a entender outras coisas, pelo menos em termos sonoros).
Aceitar a diferença é um passo complicado, até porque nunca estamos no mesmo “comprimento de onda”; mas permite, quase sempre, o que mais se procura num relacionamento – a estabilidade.
Homens e mulheres podem ser diferentes, mas não são tanto quanto isso nem o são por causa disso (apenas). Muito do que somos está na formatação a que estamos sujeitos, enquanto vivemos. Sobretudo o que nos atinge depois de terminada a imaturidade (a boa, a esperada, a que se guarda mais no coração que na memória).
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Somos diferentes, aceitamos isso e, enquanto casais, não apontamos o dedo ao outro por existir – eis a fórmula perfeita.
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A quem pertence, genericamente, a constante mudança de humores, ora bem e feliz, ora triste ou ausente? A tentação primeira aponta, de imediato, para as mulheres. Mas, a ser assim, os homens seriam pessoas constantes na forma de ser e estar. Se é feliz um dia, é-o toda a vida; se amargurado o conhecemos, então …. Parece um pouco redutora, esta visão.
Então elas estarão mais predispostas a essas coisas e os homens não … pode ser, mas tenho sérias dúvidas. O que acontece, na minha opinião, é que temos, todos, elas tanto quanto eles, o mesmo sentir (em função do que nos faz o meio o outro ou, até, o que fazemos a nós próprios); somos diferentes, e muito, é na reacção, na forma como o demonstramos. Ou seja, ele está tão feliz quanto ela, mas nela nota-se mais (isto em termos gerais, é claro). Ela está na fossa, como ele, mas ele consegue, por mecanismos muito simples, passar a ideia que não foi afectado. Ela não consegue. Nunca consegue.
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O segredo dos relacionamentos estáveis (que todos procuram, por muito que o neguem, ninguém é indiferente a esse imperativo social) reside tanto na tentativa dela em “amenizar” as reacções quanto na compreensão da necessidade duma maior exposição de sentimentos, por parte dele.
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O que abala tudo isto é a dureza da vida. Se as coisas já foram vividas e não ultrapassadas, num passado mais ou menos recente, a tentação para a radicalização é enorme. Se ao outro (ele ou ela) já doeu demais, sem ter do par escolhido a resposta que esperava, não estará disponível para novo sofrimento, ainda que o escolhido esteja capaz de reagir (muitas vezes sem ter tempo, sequer, para o tentar fazer).
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Mas a vida não é só dor. Também as horas amargas dão lições, muitas vezes de filosofia, se usarmos o saber do poeta popular. E essas aprendizagens de vida dizem-nos, se escutarmos, que há duas componentes essenciais à estabilidade – o tempo e o som, a paciência e o diálogo, a serenidade da palavra. Sem arremessar, desde logo, projécteis demolidores. Ainda que apeteça.
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Quem disse que não há receitas? O que faltará é contemplação …
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sábado, 8 de dezembro de 2007

Destino, opções e coragem

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O destino é, conceptualmente, difuso, diria mesmo confuso. Muitos não sabem se está traçado ou se vai sendo construído. Uns garantem que nada há a decidir, tudo está previsto, nas estrelas ou noutro lado qualquer. Outros afirmam que é aquilo que nós fazemos, todos os dias. Há, ainda, quem considere que não existe.
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Só é possível tomar parte na discussão se analisarmos o passado, verificando o que fizemos e porque o fizemos. Esta fórmula tenta-me a acompanhar quem diz que ele não existe, que não existe isso de vida desenhada, traçada, coerente e determinada – seja previamente, seja momento a momento, por cada um. Mas também me obriga a aceitar que, seja por desígnio divino, seja por auto-controlo dos actos praticados, o destino é uma realidade factual.
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Nascer é acção decidida por outrem, sempre. Se somos o mais jovem do grupo e se os nossos pais não o planearam, então essa coisa do destino não é tão impossível assim.
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Durante anos, o que fazemos é pouco nosso, muito mais o que outros querem. Mas crescer é tanto nosso quanto do meio. Desde muito cedo, somos confrontados com oportunidades, com opções, que ocorrem indiscriminadamente e inesperadamente. O que com elas fazemos decide muito do que vamos ser. Estudar ou não, respeitar ou ser mal-educado, cumprir as regras ou delinquir, arriscar ou assegurar, tudo conta.
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Basta pensar em quem nos acompanhou, nos bancos da Escola. Os que ficaram para trás, os que sempre lideraram, os que morreram pelas opções que tomaram. E nós, no que decidimos, quando o fizemos. A área que escolhemos, o curso que seguimos, a profissão que abraçamos, os amigos, o cônjuge (bela palavra, até pelo género) … .
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Em todo o caso, foram muitas as vezes que escolhemos, que optamos. Fizemo-lo de forma mais consensual, conservadora, ou mais radical, conflituosa.
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O que nos distingue, em muitos destes passos dados, não é a oportunidade surgir (porque ela surge, sempre) – é a forma como a tratamos. A coragem de cortar com o conhecido, o seguro, e avançar, decididos, para um futuro que não dominámos. Ou, em alternativa, não o fazer, e ficar acomodado no mundo que dominamos.
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A minha vida não foi serena, linear – não o está a ser, sequer. Estudei numa Escola (Liceu) destinada a prendar as raparigas para o casamento e a preparar os rapazes para uma vida melhor (mantida ou conquistada, conforme o status social da família). Porque oriundo de meio não abastado, fui mais feliz que aqueles que estudaram na Escola alternativa (Industrial e Comercial), a que não criava grandes opções para os tempos vindouros, antes mantinha a estrutura social vigente. Vivíamos um tempo de contrastes obscuros, de cinzentos mais ou menos graduados.
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Cresci mudando, umas vezes pouco ou sem sobressaltos, outras mais dramaticamente. Ao entrar no Superior, mudei de cidade, saí das saias da mãe. Ao terminar o curso, arrisquei num futuro incerto mas aberto. Recuei e acantonei-me na segurança da rotina. Recentemente, de alguma forma, voltei-me para caminhos de ruptura, que estou pronto a percorrer.
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Fiz a minha vida? Creio que sim. Estou, ainda, a projectá-la? Sem dúvida. Fui corajoso? Não tanto quanto deveria ter sido, no passado. Hoje, sou apenas realista. Não quero morrer antes do tempo, não quero ficar parado e ser afastado. Só por isso me movo. Só por isso, aceito mudar.
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Mais uma vez.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Bate de vez em quando

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Por vezes, tropeçamos num local, num texto, numa imagem ou numa canção que nos diz mais do que devia ...
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Aconteceu hoje, comigo. A conduzir, na rádio passou uma canção do Sr. Fausto que gostei de relembrar e que, com naturalidade, me fez pensar nas relações que, ano após ano, construo.
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Também eu tenho um fraquinho por ti. E as duas últimas estrofes (é assim que se diz?), são tiros certeiros.
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À falta de vídeo, aqui vai o poema:
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Eu Tenho Um Fraquinho Por Ti
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Eu tenho um fraquinho por ti
tu não me dás atenção
tu não me passas cartão
quando me ponho a teu lado
tremo nervoso de agrado
e meto os pés pelas mãos
tu vais gozando um bocado
a beber vinho tostão
eu com o discurso engasgado
fico a um canto, que arrelia
de toda a cervejaria
onde vais rasgar a noite
se te olho com ternura
olhas-me do alto da burra
que mais parece um açoite
é um susto um arrepio
que me malha em ferro frio.
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Eu tenho um fraquinho por ti
que me vai de lés a lés
tu dás-me sempre com os pés
quando me atiro enamorado
num estilo desajeitado
disfarço em bagaço e café
tu fumas o teu cruzado
e fazes troça, pois é,
já tenho o caldo entornado
esqueces-me da noite p´ro dia
em alegre companhia
de batidas e rodadas
tu ficas nas sete quintas
marimbas, estás-te nas tintas
p´ra que eu ande às três pancadas
basta um toque sedutor
eu cá sou um pinga-amor.
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Eu tenho um fraquinho por ti
que me abrasa o coração
quase me arrasa a razão
a tua risada rasteira
põe-me de rastos, à beira
do enfarte da congestão
encharco-me em chá de cidreira
mofas de mim atiras-te ao chão
zombando à tua maneira
lá fazes a despedida
ao grupo que vai de saída
dos amigos da Trindade
mas no fim da noite, à noitinha,
tu ficas triste e sozinha
à procura de amizade
e como é costume teu
chamas o parvo que sou eu.
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Afino uma voz de tenor
ensaio um ar duro de macho
quando estás na mó de baixo
quero ver-te arrependida
mas numa manobra atrevida
rufia, muito mansinha,
dás-me um beijo e uma turrinha
que me põe num molho num cacho
estremeço com pele de galinha
e gosto de ti trapaceira
da tua piada certeira
do teu aparte final
do teu jeito irreverente
do teu aspecto contente
do teu modo bestial
noutra palavra mais quente
eu tenho um fraquinho por ti.
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Engraçado, ao longo dos anos tive sempre fraquinhos. Foi mudando, por vezes era mais do que um, mas não recordo tempos sem nenhum. Mesmo agora, já repassado, tenho fraquinhos (isso mesmo, plural). Pelo menos, estou vivo ...
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domingo, 11 de novembro de 2007

Espreitar por cima do ombro

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Que tempos, aqueles! As candeias, tremeluzentes, eram a única fonte de luz, mal o sol desaparecia nos cumes das serranias que cercavam, e ainda cercam, esta terra profundamente minhota.
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O colchão de palha, mexida todos os dias, para repor a textura perfeita para a noite seguinte, estava coberto por ásperos lençóis de linho, frios e duros aquando da ida para a cama. Estes rapidamente se enchiam dum calor acolhedor, confortante, donde só saía um nariz envergonhado, à procura do ar fresco que limpava a alma, enquanto dormíamos.
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Os cobertores, pesados e sufocantes nas noites mais frias e cristalinas do fim da primavera, iam diminuindo em número conforme o tempo aquecia, mantendo uma sensação de conforto que se não esquece.
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Os grilos e os ralos cantavam uma canção constante, eterna, pelo menos nas noites de verão, sem com isso impedir a chegada do sono, retemperador embora inquieto, sobre uma miríade de imagens mentais, que povoavam os sonhos da nossa satisfação.
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Claras e brilhantes, centradas nas gotas de orvalho pousadas nos picos do mato, as manhãs corriam em direcção ao almoço sem parar, com o sol a começar a amadurecer os campos e a secar as fontes mais tímidas, de minas pouco ambiciosas e não muito fundas.
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O vinho verde, quase sempre tinto, que o branco pouco se fazia, era tão mais saboroso quanto mais pintasse a malga, nos movimentos circulares que os entendidos lhe provocavam, para melhor o conhecer. Arranhando na garganta, dizia-se que tinha alma, nascida tanto da qualidade da uva quanto do produto que, comedidamente, se lhe juntava no momento de engarrafar - bem trabalhoso, com o lavar de dezenas ou centenas de garrafas, todas de verde profundo e duro. A rolha de cortiça era apetrecho que não faltava.
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Falta referir o presunto, os enchidos e a bola de carne, cozida no forno a lenha, enquanto este aquecia e esperava a massa da boroa de milho, que só lá e nesse tempo se podia chamar de caseira. E o azeite, sem preocupações de acidez ou de qualidade, as batatas, com um sabor que só aquela terra, de pousio e rotação, lhe conseguia dar, a sopa – meu Deus, a deliciosa sopa feita nos potes de ferro fundido, com pedaços do lume repousando na superfície, fosse de vagens ou de penca …
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Mais valerá não falar sequer do frango caseiro, das febras do porco que era imolado nos dias mais frios, da carne das vitelas que pastavam nos campos ou eram alimentadas nas cortes - isso significava algo que, agora, só se insinua nas saídas para o interior mais profundo do país, sobretudo para lá do Marão.
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domingo, 28 de outubro de 2007

Paisagem, peixes e memórias

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Só nos últimos anos do gozo das minhas férias escolares, em Celorico, a pesca foi um passatempo assumido, embora tenha que reconhecer que os momentos que lhe dediquei foram, no mínimo, muito agradáveis.
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Pescava com o Manel, Bengalas de apelido, que o herdou porque o pai costumava resolver, as pequenas escaramuças que pelejava, com a frase “olha que te dou uma bengalada”! Bem mais velho do que eu, cedo descobriu os prazeres da natureza, ele que havia nascido no seu meio, em Fontão, e em miúdo havia abalado para o Porto, para trabalhar num banco, sem nunca deixar de sentir que perdia muito, se não regressasse, mal tivesse oportunidade, à terra mãe.
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Dono de uma passada larga, que eu mal acompanhava, embora fosse algo mais alto do que ele, o Manel era uma surpresa para mim, em quase tudo o que fazia. Introvertido, dono de um sorriso malandro que aflorava sempre que nos distraíamos, depois de me conhecer convidou-me a acompanhá-lo numa “pescaria num fundo que tinha descoberto na semana passada, cheiinho de peixes”, como me foi confidenciando. Quando soube que desconhecia, por completo, a arte, logo me introduziu nos seus segredos. Embora adorasse caçar, a pesca não lhe escondia muita coisa.
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Levou-me a sua casa, onde se podia escolher uma cana para o “novato”, como me chamava. Acabado de regressar do Ultramar, onde havia sofrido um acidente complicado, que lhe afectava a respiração, considerava que Celorico era o lugar perfeito para a total recuperação. Acho que nunca vi tanta cana junta. Rudimentares, eram todas “da índia”, a melhor cana da pesca que uma pessoa podia ter, segundo a sua douta opinião.
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Após escolher uma para si e outra para mim, fomos à Corujeira de Baixo, a um canavial, cortar uma mão cheia delas, de vários tamanhos, para eu não precisar de usar as suas, no futuro. Ensinou-me a escolhê-las, a limpá-las da ramagem e a pendurá-las, em local abrigado, para secarem sem entortar. Só no verão seguinte estariam prontas, mas até lá as dele chegavam e sobravam.
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Veio, depois, a difícil aprendizagem de preparar o isco. Boroa molhada em azeite, amassada em pequenas bolas, constituía o primeiro que tinha que fazer (a minha tia franzia o sobrolho, com o destino do seu apreciado azeite). Depois, apanhar moscas, com um gesto rápido da mão, esmagando-lhe a cabeça “para manterem o aspecto de mosca viva, com asas e tudo” (ah, isso está bem, que nos livras dalgumas dessas pestes", dizia ela) - ficava assim pronto outro isco. Numa zona muito húmida, perto de sua casa, estava o terceiro tipo de “atracção fatal” para peixes. As larvas que se banqueteavam com uma sardinha que tinha enterrado alguns dias antes eram os famosos “morcões”, que os habitantes do rio não desdenhavam. Por último, a minhoca, só encontrada em lameiros que ele bem conhecia de outras andanças – as da caça, que lhe serviam para descobrir tudo o que precisava.
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Quanto a linha, anzóis, tensos, bóias e chumbos, ele fornecia “desta vez”. Na próxima, tinha que me desenrascar. Difícil, difícil, era fazer tensos. O chumbo, enroscado na linha quando em fita, ou apertando o fio de pesca no centro da esfera, quando tinha esse formato, ainda ia. Agora dar o nó de pescador no anzol, de forma a ficar seguro e direito, era uma dor de alma!
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Tudo corria bem, nos preparativos. Quando já estava tudo pronto, e a hora da janta se aproximava, veio a notícia menos agradável: sairíamos às 03h30 da manhã, para chegarmos ao Tâmega ao nascer do dia! Convinha ir assim cedo, para voltar antes do aperto do calor. Ah, e convinha levar um bom merendeiro, pois a “fominha ia apertar, ia, ia”!
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Ainda sem me aperceber muito bem no que me tinha metido, às 03h00 levantei-me (os meus tios assistiam à minha proeza com um sorriso largo, eles que começavam a trabalhar, todos os dias, mais ou menos às 05h00, e que estavam fartos de saber o que me custava levantar, de manhã), peguei no merendeiro antes preparado, na cana, na cesta, enfim, em mim mesmo, que bem precisava, e fui ter com um Bengalas já impaciente, ao cruzamento da Boavista.
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Foi uma das coisas que fiz, como adolescente, que jamais esquecerei. A caminhada brutal, de cerca de uma hora, até ao rio Tâmega, ao seu vau mais famoso, onde íamos começar a nossa pescaria; na chegada, uma espectacular raposa que nos esperava, bebendo desconfiada do lado de lá do rio - foi o Manel que ma apontou e me fez sinal para aquietar, para a apreciarmos durante mais tempo; o hipnotizante e sinuoso Tâmega, belíssimo e dono de fama terrível, que dizia que todos os dias tinha que comer algo vivo; corujas, falcões, coelhos e perdizes, a vida a pulular e a pintar a paisagem de pormenores fantásticos.
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Depois de lançar algumas linhas “ao fundo”, bem carregadas de isco e amarradas a arbustos, na margem, para recolher à volta, começamos a pescar à bóia, seguindo a correnteza, parando aqui e ali, se era “um bom pesqueiro”, voltando a seguir, passando de uma margem para a outra, sempre que era possível ou a isso éramos obrigados pelas zonas intransitáveis.
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Aprendi a conhecer e a distinguir os escalos, as vogas e os barbiscos, espécies que dominavam o rio nesse tempo. Mais tarde chegaram as trutas. Hoje, tanto quanto sei, já pouco ou nada por ali se vê. Custos do desenvolvimento, com a poluição a destruir quase tudo … haverá retorno?
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Quanto à pescaria, correu bem. Sorte de principiante, pesquei mais do que o Manel, sendo o último um magnífico exemplar de voga, a pesar mais do que um quilo. Chamei o meu amigo Bengalas e exibi-o, gritando: “olha Manel, o pai deles todos está aqui”.
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Pouco depois chegou a hora de regressarmos. Quando íamos arrancar, depois de retirar mais dois peixinhos dos lançamento ao fundo que havíamos feito, ele, como quem não quer a coisa, bateu na testa, tirou uma voga enorme do seu cesto, bem maior que a minha, e disse: “Já me esquecia, mas quando fiquei para trás, há pouco tempo, naquela curva mais apertada, apanhei o avô. Foi fácil, ouviu dizer que o filho e os netos tinham ido passear e resolveu acompanhá-los!”
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domingo, 21 de outubro de 2007

Segredo e reserva

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Voltando aos (ou volteando nos) conceitos próximos, e realçando que não se pretende aceder a qualquer positivismo, tratamos hoje de segredo e de reserva. Parece que são termos de alcance diferente – maior aquele, mais restrito este. Mas não é assim ...
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Os segredos são uma condição. Temo-los em função do que conhecemos e, sobretudo, do que escondemos. Podem nascer noutro e viajar na nossa direcção, ou podemos produzi-los. Em todo o caso, implicam um acto objectivo de ocultação. Questionados, negamos o seu conhecimento; não havendo perguntas, nada dizemos. Até uma dada altura, até que algo aconteça. A partir desse momento, dessa ocorrência, é legítimo, é mesmo imperioso que o divulguemos. Não está certo carregar os segredos para o túmulo - até porque isso vai obrigar à sua procura, posterior, com as dificuldades e os insucessos que a história documenta.
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Os segredos são incorrectos, no sentido em que os outros pensam que os devem conhecer e que não agimos bem ao guardá-los. Se sabem que temos segredos, não mais nos largam – querem conhecê-los de imediato e não entendem porque os continuamos a esconder. Podem não fazer a mínima ideia do que são, se são ou não importantes para si, mas isso é irrelevante. Se há um segredo, movem céu e terra para o desvendar.
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Quando os divulgámos, por que chegou o tempo ou aconteceu o que era condicionante, ou mesmo porque não fomos capazes de os guardar, sentimos tristeza, por perder algo, e muita satisfação – já não precisamos de continuar calados, podemos falar no assunto, agora com conhecimento de causa. Afinal, fomos nós que o lançámos no mundo!
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Já a reserva é algo pessoal, não tem origem noutros, não é transaccional. Temo-la desde muito cedo, num ou em diversos campos em que nos movimentamos. Alguma acompanha-nos pela vida fora. É um suporte essencial para a sanidade mental, para o bem-estar, para um sentimento de realização pessoal. Em situação normal, a nossa reserva não transpira, logo não é, muitas vezes, sequer acossada. Passa despercebida, camuflada.
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Mais uma vez, os outros com quem lidamos consideram errado que tenhamos este mundo privado. Também insistem. Por vezes, raramente mas acontecendo, desvendamos uma delas, ou a única. Quando o fazemos, nunca é por ter chegado o tempo ou ter-se verificado a condição. Nem sequer resulta da insistência do outro. Apenas porque achamos que esse outro merece a partilha, que não devemos privá-lo deste pedaço de vida que reservámos. Puro engano. Ainda que tal se revele só muitos anos depois, esse acto será sempre um erro, grosseiro. O outro nada ganha com o desvendar e nós perdemos muito – muitas vezes tudo.
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É saudável ter uma área da vida reservada. É bom manter essa reserva, para os momentos (que sempre surgem) menos bons. É aceitável que o outro a tenha e é adequado não a procurar – e nunca solicitar que no-la revelem é uma boa forma de (con) viver com o outro.
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Eu tenho algumas reservas. Os segredos da minha vida estão revelados. Vou ter mais alguns segredos, que irei divulgar. Mas o que reservo na minha vida é para continuar assim.
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segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Barca D'Alva e S. Pedro do Sul

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No final da primeira parte das férias, rumei a dois locais que partilham a beleza da interioridade e revelam particularidades próprias e deslumbrantes:
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A pacatez de Barca D'Alva, outrora centro privilegiado de passagem, hoje esperando pelo desenvolvimento, repetidamente anunciado, da navegabilidade do Douro, para "ressuscitar" essa e outras dinâmicas.
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Ao longe, entre vales, olival e vinha, o Douro e Espanha.
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Um barco descansa no porto, recuperando forças para o regresso ao litoral.
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Rio e barragens garantes uma via de acesso a Barca D'Alva.
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Portugal visto de Espanha. Fica explicada a atracção.
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E a serenidade de S. Pedro do Sul, termas muito procuradas, em plena fase de renovação e revitalização, com os custos inerentes (obras, pó, barulho, lixo).
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O jogo da contraluz e das sombras esconde cores desagradáveis.
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Já as ruelas e casas guardam cores, sabores e aromas marcantes.
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