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sexta-feira, 11 de abril de 2008

Domínio Público

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Recebi, pela 3ª ou 4ª vez, um mail que releva um site brasileiro de indiscutível utilidade. As obras que disponibiliza são, já, de domínio público, ou seja, não estão sujeitas a direitos de autor.
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Mais uma vez, abri um dos links do mail e fui dar a uma obra que faz parte da minha (boa) memória: o Auto da Barca do Inferno.
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Também se pesquisam autores, no site, como fiz com Gil Vicente.
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Estes meios electrónicos servem para isso e para mais isto - a partilha. Vou passar-vos a parte que mais gosto, desde aqueles tempos idos em que o teatro fazia parte das noites da televisão, ainda a preto e branco. Aqui vai ->
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Vem Joane, o Parvo, e diz ao Arrais do Inferno:
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PARVO Hou daquesta!
DIABO Quem é?
PARVO Eu soo.
É esta a naviarra nossa?
DIABO De quem?
PARVO Dos tolos.
DIABO Vossa.
Entra!
PARVO De pulo ou de voo?
Hou! Pesar de meu avô!
Soma, vim adoecer
e fui má-hora morrer,
e nela, pera mi só.
DIABO De que morreste?
PARVO De quê?
Samicas de caganeira.
DIABO De quê?
PARVO De caga merdeira!
Má rabugem que te dê!
DIABO Entra! Põe aqui o pé!
PARVO Houlá! Nom tombe o zambuco!
DIABO Entra, tolaço eunuco,
que se nos vai a maré!
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PARVO Aguardai, aguardai, houlá!
E onde havemos nós d'ir ter?
DIABO Ao porto de Lucifer.
PARVO Ha-á-a...
DIABO Ò Inferno! Entra cá!
PARVO Ò Inferno?... Eramá...
Hiu! Hiu! Barca do cornudo.
Pêro Vinagre, beiçudo,
rachador d'Alverca, huhá!
Sapateiro da Candosa!
Antrecosto de carrapato!
Hiu! Hiu! Caga no sapato,
filho da grande aleivosa!
Tua mulher é tinhosa
e há-de parir um sapo
chantado no guardanapo!
Neto de cagarrinhosa!
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Furta cebolas! Hiu! Hiu!
Excomungado nas erguejas!
Burrela, cornudo sejas!
Toma o pão que te caiu!
A mulher que te fugiu
per'a Ilha da Madeira!
Cornudo atá mangueira,
toma o pão que te caiu!
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Hiu! Hiu! Lanço-te üa pulha!
Dê-dê! Pica nàquela!
Hump! Hump! Caga na vela!
Hio, cabeça de grulha!
Perna de cigarra velha,
caganita de coelha,
pelourinho da Pampulha!
Mija n'agulha, mija n'agulha!
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Chega o Parvo ao batel do Anjo e diz:
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PARVO Hou da barca!
ANJO Que me queres?
PARVO Queres-me passar além?
ANJO Quem és tu?
PARVO Samica alguém.
ANJO Tu passarás, se quiseres;
porque em todos teus fazeres
per malícia nom erraste.
Tua simpreza t'abaste
pera gozar dos prazeres.
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Espera entanto per i:
veremos se vem alguém,
merecedor de tal bem,
que deva de entrar aqui.
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sexta-feira, 29 de junho de 2007

Literatura

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Nos livros, há um que me faz feliz, que releio regularmente, com o mesmo prazer da primeira vez. Já o apresentei a muita gente, pelo que não será surpresa, mas que não deixo de referenciar. Trata-se de "Três homens num barco (já para não falar do cão)", de Jerome K. Jerome.
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Também posso afirmar que prefiro os autores aos livros, na medida em que alguns autores são "produtores" de mais do que uma obra-prima.
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Sempre preferi a literatura estrangeira à portuguesa, o que me tem trazido alguns dissabores nas saudáveis discussões que vou tendo com Professores de Português que me oferece(ra)m a sua amizade. Não significa que não aprecie alguns (Eça e Torga são exemplos muito bons), mas fui "formatado" pelos americanos, quando comecei a ler (ou a devorar?) livros, aí pelos meus 10/12 anos.
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Júlio Verne, que recordo com saudade, Mark Twain, Emílio Salgari foram alguns dos autores que mais me marcaram.
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Robert H. Heinlein, na ficção científica, Aghata Christie e A. A. Fair, nos policiais, Hans Helmut Kirst e Sven Essel, nos romances de guerra, foram outros escritores importantes, para mim.
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Mas tenho dois nomes "superiores", nisto das letras:
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Jorge Amado, que deveria ter sido o primeiro escritor em língua portuguesa a receber o Nobel da Literatura, pelo conjunto da obra e, sobretudo, por ter sido um excepcional contador de histórias - o que me impede de destacar um qualquer dos livros que escreveu;
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E John Steinbeck, escritor americano dotado de talento enorme, capaz de produzir uma obra de dimensão mundial e de qualidade excelsa. É dele que extraio o livro que considero o "da minha vida", também pela coragem que Steinbeck teve ao publicá-lo no tempo em que, pela primeira vez, o fez. Refiro-me a "Batalha Incerta", que será mais fabuloso do que outros, por ventura, mais afamados (As vinhas da ira, Ratos e Homens, A um Deus desconhecido ou Viagens com o Charlie).
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Se ainda nada leram de Steinbeck, corram a fazê-lo. Estão a perder algo muito bom. Se já leram alguns dos famosos, mas não "Batalha Incerta", devem colmatar essa falha com brevidade. Se já o fizeram, releiam, e registem que foi publicado no tempo da "caça às bruxas" nos EUA.
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