sábado, 22 de novembro de 2008

Aprendizagens aceleradas

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Provavelmente, o haicai será o único poema que me atrevo a subscrever. Porque é simples e capaz de dizer tudo, em poucas palavras. Aqui vão dois ou três que me/te explicam:
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Exposição
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Como uma instalação,
exposição é o que não era.
No natal, expões-te?
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Tempo frio
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De dia, sob o sol, aqueço.
Mas a noite chega depressa, fria, e
A minha, agora, mora em casa.
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Ter e não ter
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O rio cresce, com a chuva,
como o meu prazer com a tua companhia.
Quando não, secam.
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Poema dedicado
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Escrevo um poema numa tela
Como se sentisse as cores e a textura.
É para ti que o faço.
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São poemas que se podem traduzir. Falam mais de ti que de mim, são do tempo que vivemos, poupam nas palavras e explodem no sentido. São, acima de tudo, adaptáveis.
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ah, sabe bem ...

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Que querem, uma vez por outra dá-me esta coisinha ...
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Canta só um pouco melhor que eu, mas cada vez aprecio mais.
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Que saudades, Xico ...

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Neste pequeno vídeo, aparece, como um dos organizadores, um jovem chamado Pako.
Agora é Pako, na altura era o Xico, e foi um Aluno meu. Não sendo brilhante, concluiu o Secundário com alguma facilidade, não deixando de ser manguela em dose considerável.
Tinha um talento inato para uma actividade que abraçou como a sua área de trabalho. A dança, que irradiava por onde passava, vivia em cada poro da sua pele.
Agora, também organiza eventos de solidariedade. Muito bem, Xico!
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Cilquem, arranquem com o vídeo, apreciem e reparem no Pako. Ele merece.
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domingo, 16 de novembro de 2008

Andy Warhol

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Sempre senti Warhol como um artista de excepção, num mundo e num tempo de excepção. Mas só recentemente o comecei a conhecer, com alguma intimidade. Como pessoa e como artista. E vou gostando do que vou descobrindo. Para já, partilho convosco duas das suas obras (sem ser as Marilyns ou os Elvis mais divulgados) que mais me tocaram:
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Auto-Retrato, 1978
Self-Portrait
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Série Retrospectiva, Preto sobre Preto, em Negativo, 1979
Black on Black Retrospective Reversal Series
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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Eça

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Revisito, por estes dias, a Cidade e as Serras. Para os amantes, aqui vai um pequeno trecho, que me agrada particularmente:
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"... e um moço de barba cor de milho e mais leve que uma penugem, que se balouçava gracilmente sobre os pés, como uma espiga ao vento. E eu, encalhado contra o piano, esfregava lentamente as mãos, amassando o meu embaraço, quando Madame Verghane se ergueu do sofá onde conversava com um velho (...), e avançou, deslizou no tapete, pequena e nédia, na sua copiosa cauda de veludo verde-escuro."
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Se não gostaram, paciência. Eu adoro.
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sábado, 8 de novembro de 2008

Evitemos o exagero

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Porque o que é demais é moléstia, ou porque todos os excessos fazem mal, ou algo do género, volto à música. Para começar, uma actual, que fica bem em qualquer lado, em qualquer altura:
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Esta música deve ser apreciada com um bom texto e uma bebida forte, temperada com marmelada e nozes. Se não tens, vai a caminho.
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Mas voltarei ao casal das letras, prometo.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A obra desvendada

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Na tela branca, um traço, um fio, moldou
um retrato do que sinto, amo e sou.
O lugar, quente e privado, flutua no cordame.
Reflexos de luzes, no espelho líquido ondulado,
dobram a quietude, em grande cumplicidade.
Tabuleiro, arco, pilar. Colina que se esconde
nas sombras da hora tardia. É aí, no cais onde
tudo aconteceu. Feliz, pintei. Eis a verdade!
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Dama Teresa de Carvalhais
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O despertar da perda

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Vem a noite, sorrateira, vem cansada.
Vem a noiva, um polícia, um gato negro,
cada um por sua vez, como num quadro
desenhado por mão leve e repousada.
Nuvens deslizam, desmaiadas e barrentas
na luz cálida, sensatamente calada
que se move como as vidas, curtas, lentas,
numa curva da avenida larga e fechada.
As paredes, descoradas, são tristezas
que aí estão, sem apelo. Já as mesas,
que pontilham as praças deslumbrantes,
São esgares de pontadas lancinantes.
No negro colorido do sofrido querer
que a alma arrasta neste mundo de perder,
todos se sentem assim, quase a morrer.
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Mestre Carvalho Negral....

sábado, 1 de novembro de 2008

Outro, que trago. Seleccionado, neste tempo.

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Diálogo dos sentidos
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Numa onda de emoções naufraguei, sentida,
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Na estonteante e certeira chicotada. M’enlevo,
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Quebrada. Quero muito, aspiro tanto, dividida.
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Oh sereno, seguro, suportável porto. Devo?
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Tu, se conheces as virtudes certas, sussurra
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Uma resposta, uma certeza. Sopra, murmura.
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Nada se compara, se afirma. Nada se diz, falando.
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Dividida, és razão que comanda o coração, talvez.
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Olha para ti, de olhos fechados, sempre espreitando
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O mundo só teu. Viaja na emoção, por uma só vez
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E pesa, sem pesares, o castelo a edificar, o futuro.
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Depois, dá um passo, outro a seguir. Ergue o muro!
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Sentida, me enlevo, dividida.
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Devo? Sussurra, murmura ...
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Falando, talvez. Espreitando, por uma só vez
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O futuro, ergue o muro!
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Dama Teresa de Carvalhais e Mestre Carvalho Negral....
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sábado, 25 de outubro de 2008

O primeiro doutros que trarei

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A liberdade do sonho
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Serena idade, que me descansas a alma, de perdição,
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Como se a vida repousasse por momentos; a mágoa
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da vontade reprimida, em leves penas descola e voa.
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Nada me enleva, me toca, me sustenta a noite aberta
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à imagem que povoa o pensamento da mulher certa.
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Mulher que em mim habita, sem rodeios, o coração.
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Quero estar, sem cá ficar. Poder ser, sem tal querer.
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Partir do mundo, sem sair, com posses plenas e vazias.
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Viver o todo, pela parte do pedaço que é apenas um.
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Assim sorvendo o fumado amor carnudo, copo de rum
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Na cana proibida das horas esquecidas, negras e frias.
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Aí, nessa praça que é só minha, podes ficar, amar e ser.
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Mestre Carvalho Negral....
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