quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Eça

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Revisito, por estes dias, a Cidade e as Serras. Para os amantes, aqui vai um pequeno trecho, que me agrada particularmente:
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"... e um moço de barba cor de milho e mais leve que uma penugem, que se balouçava gracilmente sobre os pés, como uma espiga ao vento. E eu, encalhado contra o piano, esfregava lentamente as mãos, amassando o meu embaraço, quando Madame Verghane se ergueu do sofá onde conversava com um velho (...), e avançou, deslizou no tapete, pequena e nédia, na sua copiosa cauda de veludo verde-escuro."
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Se não gostaram, paciência. Eu adoro.
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sábado, 8 de novembro de 2008

Evitemos o exagero

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Porque o que é demais é moléstia, ou porque todos os excessos fazem mal, ou algo do género, volto à música. Para começar, uma actual, que fica bem em qualquer lado, em qualquer altura:
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Esta música deve ser apreciada com um bom texto e uma bebida forte, temperada com marmelada e nozes. Se não tens, vai a caminho.
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Mas voltarei ao casal das letras, prometo.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A obra desvendada

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Na tela branca, um traço, um fio, moldou
um retrato do que sinto, amo e sou.
O lugar, quente e privado, flutua no cordame.
Reflexos de luzes, no espelho líquido ondulado,
dobram a quietude, em grande cumplicidade.
Tabuleiro, arco, pilar. Colina que se esconde
nas sombras da hora tardia. É aí, no cais onde
tudo aconteceu. Feliz, pintei. Eis a verdade!
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Dama Teresa de Carvalhais
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O despertar da perda

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Vem a noite, sorrateira, vem cansada.
Vem a noiva, um polícia, um gato negro,
cada um por sua vez, como num quadro
desenhado por mão leve e repousada.
Nuvens deslizam, desmaiadas e barrentas
na luz cálida, sensatamente calada
que se move como as vidas, curtas, lentas,
numa curva da avenida larga e fechada.
As paredes, descoradas, são tristezas
que aí estão, sem apelo. Já as mesas,
que pontilham as praças deslumbrantes,
São esgares de pontadas lancinantes.
No negro colorido do sofrido querer
que a alma arrasta neste mundo de perder,
todos se sentem assim, quase a morrer.
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Mestre Carvalho Negral....

sábado, 1 de novembro de 2008

Outro, que trago. Seleccionado, neste tempo.

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Diálogo dos sentidos
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Numa onda de emoções naufraguei, sentida,
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Na estonteante e certeira chicotada. M’enlevo,
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Quebrada. Quero muito, aspiro tanto, dividida.
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Oh sereno, seguro, suportável porto. Devo?
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Tu, se conheces as virtudes certas, sussurra
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Uma resposta, uma certeza. Sopra, murmura.
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Nada se compara, se afirma. Nada se diz, falando.
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Dividida, és razão que comanda o coração, talvez.
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Olha para ti, de olhos fechados, sempre espreitando
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O mundo só teu. Viaja na emoção, por uma só vez
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E pesa, sem pesares, o castelo a edificar, o futuro.
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Depois, dá um passo, outro a seguir. Ergue o muro!
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Sentida, me enlevo, dividida.
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Devo? Sussurra, murmura ...
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Falando, talvez. Espreitando, por uma só vez
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O futuro, ergue o muro!
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Dama Teresa de Carvalhais e Mestre Carvalho Negral....
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sábado, 25 de outubro de 2008

O primeiro doutros que trarei

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A liberdade do sonho
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Serena idade, que me descansas a alma, de perdição,
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Como se a vida repousasse por momentos; a mágoa
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da vontade reprimida, em leves penas descola e voa.
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Nada me enleva, me toca, me sustenta a noite aberta
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à imagem que povoa o pensamento da mulher certa.
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Mulher que em mim habita, sem rodeios, o coração.
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Quero estar, sem cá ficar. Poder ser, sem tal querer.
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Partir do mundo, sem sair, com posses plenas e vazias.
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Viver o todo, pela parte do pedaço que é apenas um.
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Assim sorvendo o fumado amor carnudo, copo de rum
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Na cana proibida das horas esquecidas, negras e frias.
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Aí, nessa praça que é só minha, podes ficar, amar e ser.
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Mestre Carvalho Negral....
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terça-feira, 21 de outubro de 2008

O Zé Milímetro

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Dum tempo ausente de concentrados de promotores de crescimento fácil, mas crestado no azeite doirado da frigideira, chegavam alguns moços peculiares, mais na forma que na veste, seja a que cobre o corpo ou daquela que fervilha no silêncio e faz avançar o mundo. Era o caso do mais espigado do grupo, vergado mesmo pelos ventos das entradas e dos carros feitos para miudinhos, que o obrigavam a assumir pose humilde, ainda que o espírito reclamasse dos trabalhos forçados que lhe atacam o espinhoso suporte da elevada postura.
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Carinhosamente apelidado de Milímetro, o Zé tinha, seguramente, mais uns bons 30 centímetros que qualquer outro, o que implicava, necessária e religiosamente, um molho de espirituosas observações, que transitavam das diferenças climáticas ou climatéricas, nos diversos níveis que frequentávamos, até às passadas que traziam velocidades díspares, em momentos atléticos mais ou menos formais.
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Mas o que melhor recordo centra-se nas duas extremidades que o Zé Milimetro ostentava, normalmente, com plena satisfação. O nariz, bem encorpado, que lhe trazia desconforto aquando da prática desportiva que melhor desempenhava, não por razões físicas, antes pelos ditos frequentes dos que com ele partilhavam essa actividade. Regularmente, um qualquer dizia-lhe, quando ele estava concentrado na tabela inimiga, para olhar para o outro lado ... para não ser apanhado no garrafão, na penalização dos 3 segundos. Que o avantajado apêndice estava sempre dentro dessa área restritiva!
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Mas não ficavam por aí, os piadéticos amigos que com ele conviviam; também os seus pés eram alvo constante de comentários, que volteavam entre a pesquisa no impossível número que vestiam e as notícias que davam conta da entrada de ... navios de grande porte na doca de Leixões, inesperados, mas que se justificavam por o Zé estar voltado para o mar, no momento em que se rezava a graça. Bons tempos estes, os do vinho que alimentava um milhão de portugueses.
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sábado, 5 de julho de 2008

Citar quem adoro, citar quem sabe ...

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O mar batia com força nas rochas, furioso,apesar dos raios de sol eu sentia-o triste como eu.
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Aquele banco em frente ao mar estava vazio, sozinho apesar da quantidade de pessoas que passavam.
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Nada estava igual.
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Não havia sorrisos, não havia nada, tudo era impessoal.
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Passei boa parte da tarde a olhar para o infinito à procura...
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Não encontrei, também não podia.
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Como me fazem falta as tardes da semana, cada bocadinho que passo...
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Hoje o mundo parecia desabar em cima de mim com toda a tristeza que sentia.
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Saber que se quer e não poder, não ter poder e tanto querer, faz sofrer, doer imenso, morrer intenso.
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terça-feira, 10 de junho de 2008

Verão que aí vamos, mesmo que não pareça nem lá cheguemos!

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Nuvens escuras, nuvens claras, céu limpo ou nem por isso. Mas para lá vamos ... acho eu!
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Do Grande e do Pequeno Amor

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Acabei de ler. Romance fotográfico, metade texto e metade fotografia, de Inês Pedrosa e Jorge Colombo, da Dom Quixote, conta a história de um casal, que se separa de vez, para voltar a reunir-se, a separar-se, a reunir-se ... .
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Considera a relação amorosa uma guerra, ou muitas batalhas duma guerra, ou espaços de armistício entre guerras ... não consegui entender exactamente como o Amor é, aqui, tratado.
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Nada que não me aconteça amiúde. Quer quanto ao que leio, volta e meia, quer no que respeita ao tratamento a dar ao Amor. Com uma certeza: para mim, na intimidade do meu ser, amar não é guerrear. Nunca foi, pelo menos.
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